Tal como eu, certamente já experimentaste aquela sensação de entrar em algum sítio e sem saber porque, sentires-te bem, confortável. Acredito que em mais do que uma ocasião, essa sensação foi a inversa. Sem saber porque começas a perceber que o ambiente é pesado, talvez frio ou simplesmente, um ambiente pouco convidativo e até certo ponto, estranho.
Qualquer lugar, desde uma cidade qualquer do mundo até, a casa de banho de um centro comercial, farão que sintas algo. Todo o que és capaz de ver, ouvir, cheirar ou tocar, vai criar em ti uma sensação e, o mais curioso deste facto é que essas perceções irão condicionar os teus comportamentos o queiras, ou não.
Os seres humanos temos um disco duro que armazena todas as experiências vividas ao longo da nossa vida, da mesma forma, também grava as respostas que tivemos perante essas situações, cada uma dessas experiências, entra na nossa “base de dados” tendo uma importância extraordinária na nossa aprendizagem. Como dato interessante destacar que o nosso cérebro faz isso para um bem maior: garantir a nossa sobrevivência, porém, não é nenhum crack a fazê-lo, isto porque não sabe distinguir a realidade da ficção e, ainda assim, respostas comportamentais a eventos ficcionados, também se gravam no nosso cérebro: Quando vês um filme o teu corpo reage com um comportamento àquilo que estás a ver no ecrã e, as vezes, dás um salto no assento e, outras vezes, riste sem parar?
Quando entras numa escola (ou organização) seja qual for o teu rol, pai/mãe, aluno, professor, trabalhador ou visitante, terás uma resposta comportamental a qualquer evento que sejas capaz de perceber consciente ou inconscientemente. Assim, se percebes alguma hostilidade no ambiente terás um comportamento de autoproteção e, se percebes um ambiente tranquilo ou harmonioso, a tua resposta comportamental será congruente com o ambiente, é dizer, os teus comportamentos variam segundo a tua perceção do clima institucional (ferramenta que permite a empresa/escola uma visão geral de como está o ambiente organizacional, por meio da perceção dos usuários é possível identificar os pontos positivos e os negativos, com isso buscar o aperfeiçoamento para manter um bom nível de produtividade. Fonte: Wikipédia sobre Cultura Organizacional)
Agora é importante fazer uma pausa prolongada para perceber quanto isto é importante se tens de entrar todos os dias nessa escola u organização como trabalhador, professor, diretor ou aluno.
A cultura organizacional é definida como o conjunto de hábitos e crenças presentes por meio de normas, valores, expectativas e atitudes, partilhados por todos os integrantes de uma organização. Essencialmente, a alma de qualquer espaço. Manifesta-se nas relações interpessoais, nas decisões tomadas e até mesmo nos detalhes mais subtis, como o tom de uma conversa ou a disposição de um espaço. Contudo, este conceito ainda é pouco compreendido, apesar de ser crucial para o sucesso e bem-estar de todos os envolvidos.
No caso das escolas portuguesas, cultura organizacional é um fator inerente aos resultados que quase nenhuma instituição de ensino contempla verdadeiramente, simplesmente algumas escolas do nosso país, da mesma forma que outras muitas organizações, utilização conceitos como valores, missão ou visão como meros adornos das suas webs, ignorando a importância de este assunto que se constitui como parte da espina dorsal dos seus negócios.
Cultura organizacional é o reflexo do que acontece no dia a dia: é o que professores, alunos, diretores, visitantes, colaboradores, mães e pais veem, ouvem e sentem. É a forma como os problemas são resolvidos, como os colaboradores são valorizados, como os alunos se comportam, como os pais/mães interagem com os distintos profissionais e, tudo.
Um estudo da OCDE (2019) mostrou que escolas com culturas organizacionais coesas apresentam menores taxas de Burnout entre professores e melhores resultados académicos. Por outro lado, ambientes onde a comunicação é falha e as relações interpessoais são frágeis, as consequências negativas acumulam-se, afetando toda a comunidade educativa. Um outro estudo, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, revela que quase a metade dos professores (47%) em Portugal, sentem-se desrespeitados pelos alunos, resultado que nos deveria fazer sentir a todos no mínimo envergonhados.
Transformar a cultura organizacional das escolas portuguesas não requer mudanças drásticas, mas sim um compromisso diário com melhorias consistentes, garantindo que trabalhá-la e transformá-la seja o primeiro objetivo pois dele, advêm todos os outros.
Melhorar a cultura organizacional é uma oportunidade para transformar resultados de professores e alunos e de preocupar-nos com o que verdadeiramente importa: transformar um modelo educativo obsoleto em um modelo robusto e flexível capaz de se adaptar à evolução exponencial do século XXI.
Se de alguma forma, este artigo te fez refletir sobre o ambiente da tua escola u organização, certamente terá atingido o seu objetivo.
Se queres explorar com maior profundidade este tema, já seja para a tua empresa ou escola, entra em contacto comigo e descobre as palestras das que podes usufruir gratuitamente para entender, observar e transformar a cultura organizacional.
Obrigado por estares aí,
Virginia Viñas, Coach de Líderes.